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História de Monte Verde

História de Monte Verde

     Monte Verde é a materialização dos sonhos do imigrante da Letônia Verner Grinberg que, em busca de um lugar que remetesse ao seu país natal, fundou, organizou e transformou uma fazenda em uma região distante e de difícil acesso, em uma pequena vila, onde ele e sua família construíram as bases do que hoje é o nosso distrito.

     Posteriormente, imigrantes oriundos da Hungria, Suíça, Alemanha, Rússia e Itália, e é claro, muitos brasileiros, encontraram aqui o lugar ideal para constituírem suas vidas. Com esses imigrantes, floresceram as margaridas em nossos campos e uma técnica muito especial de pintura, o Bauernmalerei, ou simplesmente Bauer, que hoje é reconhecida como patrimônio imaterial de nossa cidade.

     E a origem do nome da Vila? Seguindo o conselho de sua esposa Verner colocou o nome da cidade em homenagem à sua familia: Grinberg. Se em leto era apenas um sobrenome, em alemão significa (Grün = Verde e, Berg = Monte). E assim, a pequena fazenda se transformou na viscejante e apaixonante Monte Verde!

    

Leia um pequeno trecho da entrevista concedida pelo Sr. Verner Grinberg a Revista Divirta-se em Monte Verde.

    

     Foram meus pais que escolheram o Brasil. Eu vim com apenas 3 anos de idade, em 1913. Era uma terra promissora, de clima bom o ano todo, onde tudo o que se planta dá, até duas vezes por ano pode se plantar e colher, ao contrário do norte da Europa. Sabia-se ainda das grandes florestas, com muitas árvores e madeira abundante. Alguns letos já moravam aqui e chegavam notícias muito boas do Brasil na Letônia.

     O primeiro lugar onde moramos foi Pariquera-Açu, no vale do Ribeira, estado de São Paulo. Meu pai não gostou de lá. Era muito quente, solo ruim, nada daquilo que sonhávamos. De lá mudamos para São José dos Campos, que também já abrigava letos. Logo fomos para Campos do Jordão, que estava começando a se formar.

     Meu pai já era madeireiro na Letônia e trabalhamos muito em Campos do Jordão, cortando grandes pinheiros (com serras manuais) para a construção de casas, hotéis, inclusive o Hotel Vila Inglesa. Os donos do Vila Inglesa doaram alguns alqueires de terra para o meu pai se estabelecer por lá.

     Campos do Jordão era uma região que gostávamos muito, mas decidimos sair de lá por questões de saúde. Era um local de tratamento de tuberculosos. Minha mãe faleceu quando eu tinha 7 anos de idade. Saímos sonhando em algum dia, encontrar um lugar tão bonito, de clima bom, paisagens maravilhosas, mas que fosse saudável para se morar.

     Já tínhamos ouvido falar que exista um lugar chamado “Campos do Jaguari”, que seria tudo isso. Ninguém sabia informar direito onde ficava. Fomos, desta vez, para o oeste paulista (região conhecida como “Alta Paulista” – hoje, Tupã, Inúbia Paulista, Bastos, Adamantina…), região de rápido desenvolvimento, à medida que a estrada de ferro avançava. Continuamos a trabalhar como madeireiros, sempre cortando grandes perobas, serrando em tábuas, vigas, para construção de casas de madeira, muito comuns naquela região.

     Em 1922, chegou à região em que morávamos um grande grupo de letos. Eram 2.000 pessoas, que formaram primeiro a colônia Palma, depois Varpa, Pitangueira e Colônia Letônia. Também montamos uma pequena serraria lá, para ajudar os conterrâneos. Neste grupo, conheci uma moça, chamada Emília Grinberg, com quem me casei mais tarde, em 1934. Nesta época, ela cantava no coro da igreja batista de Varpa, onde era soprano solista. Emília tem sido minha grande companheira ao longo da vida. Já são 72 anos de casamento.

     Sempre trabalhamos muito com nossas serrarias, fornecendo madeira para as cidades que iam se formando na região e, mais tarde, semanalmente mandando vagões inteiros carregados de peroba serrada para São Paulo. A Emília, muitas vezes, cuidava da casa e da serraria, quando eu viajava para vender madeira.

     Depois de muito tempo, um leto chegou até nós dizendo que, em suas andanças, tinha conhecido o tal lugar chamado Campos do Jaguari, onde ficam as nascentes do rio Jaguari e tivemos grande curiosidade em conhecer. Um dia, meu pai e eu saímos do oeste de São Paulo para vir conhecer a região, iniciando nossa viagem de trem e terminando à cavalo, já que não havia estradas a menos de 10 km de Monte Verde. 

     Quando chegamos aqui, era só uma fazenda habitada por alguns mineiros. Havia talvez umas três ou quatro famílias que moravam aqui, trabalhadores da fazenda, além dos proprietários.

     O lugar era mesmo muito bonito, como o que havíamos sonhado. Nós dois andamos por toda a fazenda e subimos até o Pico do Selado. Conversamos com as poucas pessoas que moravam na região, mas não encontramos ninguém que quisesse vender nenhum pedaço de terra.

     Quando já íamos indo embora a cavalo, um homem nos alcançou e perguntou se seria verdade que queríamos comprar terras por aqui, e se pagaríamos mesmo o que tinha ouvido falar (alguns contos de réis). Eu disse que sim, se alguém quisesse vender. Ele disse que era dono de 5 alqueires e venderia. Fomos então até Camanducaia para passar a escritura.

                          Igreja Batista em Monte Verde-MG     Igreja Batista em Monte Verde-MG     Igreja Batista em Monte Verde-MG

Igreja Batista em Monte Verde-MG

     Naquela época, se andava com dinheiro no bolso, nem banco ou cheque se usava… Voltamos, talvez um mês depois, acho que era 1938, para tomar posse da área adquirida e demarcá-la (hoje, a área onde se encontra a Igreja Batista, o Bradesco, etc.) e onde ainda tenho a minha praça particular.

Fontes: https://monteverde.org.br/historia/

            Revista: Divirta-se em Monte Verde.

Imagens: Robson e Dione Ferreira

 

Para ler a entrevista na íntegra, e ficar informado sobre a bela e apaixonante História de Monte Verde, acesse o link: https://monteverde.org.br/historia